
«Barry White Gone Wrong é o novo projecto musical de Peter De Cuyper depois dos PeepHole e Le Divan.
Foi numa viagem a Oslo, que este Belga radicado em Sesimbra há 16 anos, conheceu os seus futuros cúmplices. Aí surgiram as primeiras notas e ideias para trabalhar num novo projecto. Juntaram-se pela primeira vez em Novembro de 2010.» O SOU esteve à conversa com Peter De Cuyper (voz, letras) e Nuno Gelpi (baixo, voz, programação).
Este projecto nasceu numa mítica viagem e Oslo. Como é que tudo surgiu?
Peter De Cuyper – A viagem foi o prémio que o músicos ganharam num festival. Eu trabalhei na produção do festival e fui com eles. Demo-nos bem. Eu vi que eles eram bons músicos. Falamos muito… Eu estava a precisar de músicos e em Novembro começamos a gravar.
Como surgiu o processo de criação?
Peter De Cuyper - No início eu pegava na guitarra do meu filho (porque eu não sei tocar nem afinar ), e sacava três notas…Depois gravava no meu telemóvel e enviada para o Nuno. O Nuno já sabe traduzir para música e depois juntávamos e acabávamos a música.
É algo que é mais influenciado pela parte musical ou pela letra?
Peter De Cuyper - No meu caso são as duas coisas. Quando se escreve a letra não se escreve a letra sem a música. Às vezes tento ouvir uma música muito simples…Às vezes opto por uma música de dança com uma batida muito certa para escrever com mais facilidade. As palavras encaixam com mais facilidade. Os músicos depois fazem a música e depois encaixam a letra.
Quais são os maiores estímulos e influências da banda?
Nuno Gelpi – Temos influências de vários estilos de músicas. Morphine, Nick Cave…
Peter De Cuyper – Nick Cave, estamos a falar da voz…. ( risos )
Nuno Gelpi - Sim. Se tentares definir o Nick Cave, no estilo de música, também é difícil de definir…
Peter De Cuyper – É difícil definir porque somos influenciados por muita coisa. Por exemplo, uma vez houve uma música em que inspirei-me num anúncio em que a Alexandra Lencastre aparecia com um bebé….Podem ser várias coisas. Podem ser os barulhos na estrada, as músicas que ouvimos … Também procuro na net coisas novas, ou mesmo antigas…
Nuno Gelpi – Estava aqui a pensar … Nós nunca costumamos falar das bandas que nos vão influenciando. As influências são mais aquilo que vivemos ( como a viagem a Oslo) do que propriamente o som de uma banda. Nunca falei com o resto da malta sobre o que é que eles gostam ou não gostam….
Peter De Cuyper – Mas pessoalmente é diferente…
Definem este trabalho como sendo um projecto vivo e de evolução contínua. Porquê?
Peter De Cuyper – A minha ideia é tocar noutros lados e convidar sempre alguém. Traz outro ambiente e ficamos com um “som fresquinho”.
Quem evolução sentiram nas músicas após os primeiros concertos?
Peter De Cuyper – Tocamos dois concertos. Mudou pouco. O que mudou mais foram as raparigas do coro. As músicas que mostramos ao vivo, em comparação com as novas, são mais rock.
Nuno Gelpi – Também ganhamos som de banda. Andávamos à procura do nosso som.
Quais são as vossas expectativas para os próximos anos?
Peter De Cuyper – Eu sou muito optimista. É o melhor projecto em que estive até agora, graças também aos músicos que entendem as características da minha voz. Já não tenho 20 anos e já não me posso iludir muito. Queria lançar um single no próximo ano, tocar muito ao vivo e, talvez, em 2013, ter um novo álbum. O meu maior sonho é tocar em Paredes de Coura no palco principal.
Nuno Gelpi – Os nossos objectivos são tocar muito e tocar ao vivo o máximo possível. Divertimo-nos a tocar uns com os outros. Já não temos 18 anos e somos realistas em relação ao que se passa hoje em dia.
Peter De Cuyper – Tocar muito também significa que se bebe à borla. E isso também é bom. E isso às vezes é um ordenado. (risos)
O que é que vos motiva e fascina mais na música?
Peter De Cuyper – É um bichinho que está dentro de mim. Quando actuo ao vivo sinto-me mais completo e realizado. Faz-me bem estar em palco. Temos que acreditar sempre. Ter expectativas, mas também não ter demais. É necessário conseguir entrar no circuito. Não é preciso ser da primeira liga, pode ser de outra. O importante é encontrarmos um desafio nas coisas…até morrer.
Nuno Gelpi - Eu já nem sequer luto contra isso. A música sempre fez parte da minha vida. Estou um bocado atado a isto. Não posso fugir disto. Já não sei fazer outra coisa.
Concerto no SOU dia 17 Dez. | 22h | Mais info (…)