JOÃO FIADEIRO

Nasceu em Paris em 1965. O seu primeiro contacto com a dança acontece em 1982 com Rui Horta antes de iniciar a sua formação nos cursos de formação profissional do Ballet Gulbenkian em 1983. Em 1984 dá início a um período de quatro anos de formação especifica entre Lisboa e Nova Iorque em técnicas de dança clássica e moderna, intercalando com períodos onde foi bailarino na Companhia de Dança de Lisboa. Em 1988 é convidado a ingressar no Ballet Gulbenkian onde dançou durante duas temporadas. Nesse mesmo ano é bolseiro do Jacob’s Pillow Dance Festival nos Estados Unidos onde entra em contacto com o movimento pós-moderno americano e com a técnica de “contact-improvisation”, que vem a aprofundar no TanzFabrik em Berlim. Entre 1989 e 1998 adopta esta técnica como modo de estar e pensar a dança, tendo-a introduzido em Portugal através de cursos e eventos organizados à volta da sua prática.

Em 1989 inicia a sua actividade coreográfica com a peça “Plano para identificar o centro” para o XII Estúdio Coreográfico do Ballet Gulbenkian. Ainda para o Ballet Gulbenkian criou os espectáculos “do medo, da ilusão e da queda” (1991) e “Quatro árias de ópera” (1996) num programa partilhado com os coreógrafos Vera Mantero, Clara Andermatt e Paulo Ribeiro. Para a RE.AL , estrutura fundada por si em 1990, criou as coreografias e performances “Retrato da memória enquanto peso morto” (1990), “Solo para dois intérpretes” (1991), “Solos” (1992), “O que eu penso que ele pensa que eu penso” (1992), “Branco Sujo” (1993), “Recentes Desejos Mutilados” (1994), “Amor ou Sexo” (1995), “Self(ish)-Portrait” (1995), “O desejo ardente deve ser acompanhado por uma vontade firme” (1995), “Vidas Silenciosas” (1997), “I am sitting in a room different from the one you are in now” (1997), “Mindfield” (1998), “…e inversamente” (1998), “O que eu sou não fui sozinho” (2000), “Aicnêtsixe” (2001), “Existência” (2002), “I am Here” (2003), “Para onde vai a luz quando se apaga” (2007), “Este corpo que me ocupa” (2008) e “Secalharidade” (2012). Encenou ainda, para os Artistas Unidos, as peças “À Espera de Godot” de Samuel Beckett (2000), “4:48 Psicose” de Sarah Kane (2001) e a “A Noite Canta os seus Cantos” de Jon Fosse (2004). Ainda no contexto da RE.AL, produziu os artistas Tiago Guedes, Claudia Dias e Gustavo Sumpta e acolheu, entre 1992 e 2006, 12 edições do projecto transdisciplinar LAB/projectos em movimento. A RE.AL TEM, desde 2004, sede no Atelier Real em Lisboa, onde tem desenvolvido uma programação transversal, fruto da curadoria de residências artísticas e da cedência de espaços a artistas emergentes.

Nos últimos anos o percurso de João Fiadeiro têm-no levado a aproximar-se da investigação através da arte e a distanciar-se, a uma velocidade proporcional, da criação coreográfica. Essa investigação “ganha corpo” através do método de Composição em Tempo Real, desenhado para responder ás inquietações que mantêm enquanto artista mas que nos últimos anos, ao cruzar-se com disciplinas como as Ciências dos Sistemas Complexos, a Economia ou a Antropologia, tem alargado a sua zona de intervenção para áreas associadas ao estudo da cognição social, decisão colectiva ou auto-organização. Desde 1997 tem sido convidado regularmente para ensinar ou orientar ateliers de pesquisa em Composição em Tempo Real em diversas instituições nacionais e estrangeiras como o Forum Dança, o Centre National de la Danse ou o Centre Chorégraphique National de Montpellier, em França, os cursos de mestrado AMCh e Dasarts em Amsterdão ou ainda os mestrados SoDA (Berlim) e em Performance Studies (Hamburg) na Alemanha. O seu trabalho enquanto pedagogo tem tido ainda uma forte implementação na América latina – deslocando-se com regularidade ao Brasil, Argentina e Chile – e nos países do leste europeu como a Rússia ou a Ucrânia. Este movimento de alargamento e influência do seu trabalho levaram-no a criar, juntamente com a antropóloga brasileira Fernanda Eugenio, o centro de investigação artística e criatividade científica AND_Lab, que se afirma enquanto plataforma de partilha de procedimentos, operações e modos de fazer-problema – vindos tanto da arte como da ciência – na relação-tensão entre política, ética e quotidiano.